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Frankenstein à brasileira: amor pelas filigranas e obsessão por lavagem de pênis

A0 PÉ DA GOIABEIRA lopes

Desde meados de 2018, quando a candidatura do capitão Bolsonaro passou (olhando-se o resultado das pesquisas eleitorais) de piada a ameaça, analistas ocasionais tentam compará-lo a tipos exóticos que antes ocuparam a Presidência, na maioria das vezes com evocação das figuras extravagantes de Jânio Quadros e Fernando Collor. Juntando-me a esses amadores, arrisca-me  sugerir um terceiro presidente tosco: o general Figueiredo (último mandatário da ditadura militar que nos vitimou de 1964 a 1985), para também compor o perfil bolsonariano.

Olhado de perto, o capitão seria, na minha modesta opinião, uma espécie de monstro de Frankenstein tropical: a agressividade de Collor, o histrionismo de Jânio e a grossura de Figueiredo. Como se vê, nessa montagem do monstro não foram usadas virtudes, porque raras, porém os defeitos mais notáveis dos modelos. Quando Lula  (numa entrevista comentada pelo New York Times, Washington Post, Le Figaro e The Guardian, mas não pela “grande” mídia brasileira – com silêncio total da Rede Globo) disse que o Brasil é dirigido por um bando de malucos, o presidente, na sua lamentável indigência vocabular, só conseguiu chamar Lula de “cachaceiro”.

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Na mesma semana, o capitão postou no twitter um vídeo feito por uma aluna, denunciando a professora que manifestara opinião contrária ao (soi-disant) filósofo Olavo de Carvalho, durante uma aula de português. No tom de arrogância comum aos de sua categoria, a mocinha disse que estava “pagando (era uma escola particular, já se vê) para ter aula de gramática“, não para ouvir a opinião da professora – e que esta, por opinar, seria denunciada à Coordenadoria da escola. Nasce, à vista de todos, a didática da estupidez: uma incrível escola na qual os professores não têm opinião.

Esta introdução, que ficou longa, era pra dizer que o capitão-presidente, em certo sentido, supera seus modelos:  no frenesi do marketing pessoal (entregar taças de campeão ao Palmeiras – sob protestos, fazer flexões em solenidade de formatura de cadetes), assemelha-se a Collor; num campeonato de boçalidade (é incapaz de fazer duas frases concatenadas, com sentido lógico), ganharia fácil do general Figueiredo; e em matéria de filigranas (postar vídeos do tipo citado, preocupar-se em lavar pênis) supera Jânio Quadros (aquele que proibiu brigas de galo e uso de biquíni).

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Essa aprendiz de fascista de Itapeva-SP (em verdade, militante do partido dos Bolsonaro e amiga do clã), que denunciou a professora, só seria levada a sério por dirigentes públicos como o capitão Bolsonaro, indivíduo totalmente inadequado para o cargo em que brasileiros incautos o colocaram, numa eleição atípica, movida a facada e mentiras.

Vista de ângulo sensato, a defesa do professor que não  pode extrapolar a “pauta” da aula (como querem a tolinha que fez a denúncia e o governo que prega essa bobagem) lembra uma historinha antiga: Contava  o sempre bem-humorado pensador Milton Santos (ex-professor do lendário I. M. E. de Ilhéus) que, aluno, discutia com um colega (à boca pequena), durante uma aula de geografia, sobre qual era o maior lago do Brasil. Para decidir a disputa, dirigiram-se ao professor:

– Professor, qual é o maior lago do Brasil?

– Não posso responder. A aula hoje é sobre rios…

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(As diatribes do Barão e sua equipe são publicada às terças sextas, quer chova, quer faça sol)

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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