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Fogueira de livros com música “sertaneja universitária”

 

A0 PÉ DA GOIABEIRA lopes

 bddepd@gmail.com

 

Faz tempo que está em pauta a discussão sobre o fim do livro, posto a correr por “plataformas” mais “modernas”, erguidas na interrnet. Agora, o governo federal – cujo comandante, tudo faz crer, leu apenas as orelhas do Manual de Conduta do Exército, e não entendeu! – parece disposto a pôr fim à questão. É que um de seus tresloucados representantes,  chamado Murilo Resende, tido como “responsável pelo Enem” (depois, “rebaixado” a assessor do MEC), declarou-se favorável a uma “queima lúdica” de livros. Como “lúdico” vem do latim  ludus (significando “jogo”, “diversão”, “brincadeira”, concluo que esse governo de parvos fará uma espécie de festa com a queima de livros, algo assim como uma fogueira de São João, com casamento caipira, canjica, milho assado e muita música “sertaneja universitária”. E se não incluo quadrilha é por total desamor ao mau trocadilho.

Capitão B., que nunca teve uma ideia que prestasse, também não se mostrou original desta vez: a queima de livros marcou vários momentos de vergonha na história da civilização: o regime nazista  e a inquisição se destacam.

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No Brasil, o governo Vargas fez uma grande fogueira em Salvador, alimentada por mais de 1.600 volumes de Jorge Amado e alguns de Anísio Teixeira (creio que é chegada a vez de Paulo Freire); no regime verde-oliva de 1964 (cujas iniquidades o Capitão B. tanto louva), nós mesmos destruíamos ou escondíamos certos livros, evitando que eles fossem encontrados  pelos cães de fila da ditadura. Ser flagrado com algum volume de O Capital, por exemplo, era certeza de pau-de-arara e unhas extraídas sem anestesia. “Bons tempos aqueles, em que se podia fazer isso daí com os vermelhos” – diria o Capitão B., com seu linguajar tosco.

 

De Buerarema para o mundo reverbera a voz de José Delmo:

 

“Se não vigiarmos a vida

Eles escreverão a história”

 

A idade da pedra fica logo ali

 

Nestes tempos estranhos, quando a inteligência em Brasília parece muito rarefeita, pode ser que alguém ache “charmoso” ter um ministro da Educação falando portunhol, ministro ‘importado”, o que, para essa gente lesa, deve ser prova de qualidade.

O grande homem, tem em sua agenda (ditada pelo Capitão B.), dentre outras prioridades,  “extirpar das escolas o método Paulo Freire” e “limpar todo o entulho marxista que tomou conta das propostas do MEC”. É a essa sumidade (sumidade apavorada,a tropeçar, mesmo ao sol do meio-dia, em seguidores de Paulo Freire e fantasmas de marxistas em cada esquina) que está entregue um setor de fundamental importância estratégica para o Brasil, a Educação.

De prático, ele acaba de anunciar (em portunhol, é claro!) que pretende reintroduzir nos currículos da escola infantil e fundamental a disciplina Educação Moral e Cívica, um dos ícones doutrinários da ditadura de 64, retirada do currículo escolar no governo Itamar Franco.

Apesar de minha declarada simpatia pelo ministro, penso que ele faria melhor se tentasse olhar para professores que andam quilômetros para dar aula a jovens paupérrimos, em

escolas caindo aos pedaços; se mostrasse planos de treinamento desses professores, com resultados em justiça salarial; se acordasse para a insegurança em que vivem, nessas escolas, professores e alunos. Professores, aliás, que, na douta opinião da deputada bolsonarista Joyce Não-Sei-das-Quantas (aquela que quer fechar o STF), “não sabem ensinar”, pois foram doutrinados nos princípios ideológicos em  boa hora combatidos pelo ministro de estranho sotaque.

Enfim, el maestro faria melhor se avaliasse o presente pensando no futuro do Brasil, não com esse olhar parado num mau momento da história. Nesse passo, daqui a pouco ele ressuscita a velha palmatória dos nossos avós e, em seguida, troca o computador pelo ábaco.  Estamos indo, de rota batida, para la edad de  la piedra.

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I

 “Em lugar do Minha casa, minha vida, vamos ter agora o Minha arma, tua vida, o

programa armamentista do samba do capitão enlouquecido”

 (Ricardo Kotscho, jornalista)

 

(BddePD)
     
     

(As diatribes do Barão são publicadas neste espaço, às terças e sextas, quer chova, quer faça sol).

 

 

 

 

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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