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Archive for março, 2019

O preço da Liberdade

Josias Gomes

 

josiasQuanto vale a liberdade de expressão? Sabemos que a liberdade não se negocia, não pode ser precificada. Esse texto tem o compromisso histórico de alertar muitos jovens que apoiam regimes totalitários e golpes militares com toda força que os opressores conseguiram penetrar em suas mentes.

O jovem, por si só, é um libertário e contestador nato, contudo num mundo opressor teriam as suas palavras e ações silenciadas. Durante os regimes democráticos, todo cidadão tem o direito de concordar ou não com um modelo político.

Na Ditadura Militar, não!

Uma ilustração clara é a do jornalista Reinaldo de Azevedo, que falou: “Eu escrevi uma matéria contra o Bolsonaro e fui ameaçado de morte. Eu escrevi quatro livros contra o PT e nunca fui ameaçado de morte”.

Cálice é uma canção de Chico Buarque e Gilberto Gil, feita durante os anos atômicos da Ditadura Militar. Escolhi essa canção emblemática que foi censurada pelos milicos porque tem diversas metáforas que denunciavam um Brasil amputado e podemos fazer analogias com os dias atuais.

Cálice é uma canção poética poderosa que se refere ao silêncio obrigado da população brasileira. De uma maneira magistral, Chico e Gil (com interpretação livre) denunciam a tragédia vivida pelo povo brasileiro, comparando com o calvário que Jesus sofreu até a sua crucificação.

Em um verso da canção eles cantam: “Como beber dessa bebida amarga”. O vinho, que é para celebrar a vida, está cheio de sangue, amargo, adulterado por censura, desaparecimentos, torturas e morte. O cale-se da Ditadura é feito de ópio.

Jovens, não caiam no canto da serpente. Este canto triste pode durar décadas, gerações, e amanhã vocês podem ser senhores e senhoras arrependidos.

Provavelmente, muitos jovens não conheçam a canção Cálice, porque existe um processo de alienação brutal provocado pela mídia, indústria cultural, onde tentam apagar a memória de luta do povo, artistas e intelectuais brasileiros. Cálice é um hino da minha geração que lutou por um mundo livre, plural, sem vinhos envenenados de ódio e paranoia.

Luto para que os jovens tenham a liberdade de discordar de qualquer sistema político, tenham o direito sagrado de contestar, inclusive, desse texto.

“Mesmo calada a boca, resta o peito”.

Josias Gomes é deputado federal licenciado e secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR-BA).

A Mãe

Daniel Thame

 

dthameOs olhos tristes e cansados da mãe contemplam o vazio. Um imenso e interminável vazio,  formado por rios, florestas, animais selvagens e décadas de espera.

Os olhos tristes e cansados da mãe se enternecem e adquirem um brilho efêmero ao lembrar do menino carinhoso, do adolescente sonhador e do jovem idealista que,  recém-formado em Medicina, em vez de salvar vidas, se engajou na luta para ajudar a salvar a nação do câncer de uma ditadura brutal.

Os olhos tristes e cansados da mãe se perdem naquela busca que parece interminável, naquela espera que é meramente esperança, do retorno do filho que para alguns se transformou em mártir de uma batalha perdida e herói de  uma causa justa, mas que para ela é apenas um filho cuja ausência rasga o coração.

Os olhos tristes e cansados da mãe, olhos de tantas e infrutíferas buscas no Araguaia, sepultura invisível de seu filho, miram os céus, décadas e décadas de saudade, de uma ferida que insiste em não cicatrizar, como que a procura de um sinal.

Mas até a infinitude dos céus é engolida por aquela mata fechada, com seus fantasmas e mistérios, que devorou filhos, filhas, pais, mães, amigos numa guerrilha ainda não devidamente absorvida pela memória coletiva, travada que foi nos confins do Brasil profundo.

Dos  céus, não vêm sinal algum.

Os olhos tristes e cansados da mãe só não perderam a esperança, porque esperança de mãe é como a chama eterna, que nem a dor da perda do filho querido consegue apagar.

Os olhos tristes e cansados da mãe esperam por um fiapo de corpo que seja, um punhado de ossos, que reconstruídos numa história de vida, resgatem a memória de quem foi para nunca mais voltar.

O que a mãe deseja, com seus olhos tristes e cansados, é poder sepultar o que restou do filho.

Para então, descansar em paz, e talvez, se reencontrar com ele numa dimensão que os olhos não alcançam,  mas que o amor e a fé de mãe tem certeza de que existe.

 (conto extraído do livro ´A Mulher do Lobisomem”,  editora Via Literarum)

Aos Domingos, Na Esquina

Curta produzido por Sônia Maria Hass e integrante do filme colaborativo Um Golpe, 50 Olhares. Um projeto organizado pelo CRIAR BRASIL e fomentado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, por meio do Projeto Marcas da Memória.

É isso que o Brasil quer celebrar?

Paulo Coelho, no Washington Post

pc 228 de maio de 1974: um grupo de homens armados invade meu apartamento. Começam a revirar gavetas e armários – não sei o que estão procurando, sou apenas um compositor de rock. Um deles, mais gentil, pede que os acompanhe “apenas para esclarecer algumas coisas”. O vizinho vê tudo aquilo e avisa minha família, que entra em desespero. Todo mundo sabia o que o Brasil vivia naquele momento, mesmo que nada fosse publicado nos jornais.

Sou levado para o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), fichado e fotografado. Pergunto o que fiz, ele diz que ali quem pergunta são eles. Um tenente me faz umas perguntas tolas, e me deixa ir embora. Oficialmente já não sou mais preso: o governo não é mais responsável por mim. Quando saio, o homem que me levara ao DOPS sugere que tomemos um café juntos. Em seguida, escolhe um táxi e abre gentilmente a porta. Entro e peço para que vá até a casa de meus pais – espero que não saibam o que aconteceu.

No caminho, o táxi é fechado por dois carros; de dentro de um deles sai um homem com uma arma na mão e me puxa para fora. Caio no chão, sinto o cano da arma na minha nuca. Olho um hotel diante de mim e penso: “não posso morrer tão cedo.” Entro em uma espécie de catatonia: não sinto medo, não sinto nada. Conheço as histórias de outros amigos que desapareceram; sou um desaparecido, e minha última visão será a de um hotel. Ele me levanta, me coloca no chão do seu carro, e pede que eu coloque um capuz.

pcO carro roda por talvez meia hora. Devem estar escolhendo um lugar para me executarem – mas continuo sem sentir nada, estou conformado com meu destino. O carro para. Sou retirado e espancado enquanto ando por aquilo que parece ser um corredor. Grito, mas sei que ninguém está ouvindo, porque eles também estão gritando. Terrorista, dizem. Merece morrer. Está lutando contra seu país. Vai morrer devagar, mas antes vai sofrer muito. Paradoxalmente, meu instinto de sobrevivência começa a retornar aos poucos.

Sou levado para a sala de torturas, com uma soleira. Tropeço na soleira porque não consigo ver nada: peço que não me empurrem, mas recebo um soco pelas costas e caio. Mandam que tire a roupa. Começa o interrogatório com perguntas que não sei responder. Pedem para que delate gente de quem nunca ouvi falar. Dizem que não quero cooperar, jogam água no chão e colocam algo no meus pés, e posso ver por debaixo do capuz que é uma máquina com eletrodos que são fixados nos meus genitais.

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Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores

Charlie Brown JR

E Rose não vai falar de rosas…

 

 

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Rose Nogueira

“Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto.

Na sala do delegado Fleury, num papelão, uma caveira desenhada e, embaixo, as letras EM, de Esquadrão da Morte. Todos deram risada quando entrei. ‘Olha aí a Miss Brasil. Pariu noutro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca’, disse ele. Um outro: ‘Só pode ser uma vaca terrorista’.

Mostrou uma página de jornal com a matéria sobre o prêmio da vaca leiteira Miss Brasil numa exposição de gado.

Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido.

Picou a página do jornal e atirou em mim. Segurei os seios, o leite escorreu.

Ele ficou olhando um momento e fechou o vestido.

Me virou de costas, me pegando pela cintura e começaram os beliscões nas nádegas, nas costas, com o vestido levantado.

Um outro segurava meus braços, minha cabeça, me dobrando sobre a mesa.

Eu chorava, gritava, e eles riam muito, gritavam palavrões.

Só pararam quando viram o sangue escorrer nas minhas pernas. Aí me deram muitas palmadas e um empurrão.

Passaram-se alguns dias e ‘subi’ de novo. Lá estava ele, esfregando as mãos como se me esperasse.

Tirou meu vestido e novamente escondi os seios.

Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo.

Ele ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco.

No meio desse terror, levaram-me para a carceragem, onde um enfermeiro preparava uma injeção.

Lutei como podia, joguei a latinha da seringa no chão, mas um outro segurou-me e o enfermeiro aplicou a injeção na minha coxa.

O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’. ‘E se não melhorar, vai para o barranco, porque aqui ninguém fica doente.’

Esse foi o começo da pior parte.

Passaram a ameaçar buscar meu fillho. ‘Vamos quebrar a perna’, dizia um. ‘Queimar com cigarro’, dizia outro.”

ROSE NOGUEIRA, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), era jornalista quando foi presa em 4 de novembro de 1969, em São Paulo (SP). Hoje, vive na mesma cidade, onde é jornalista e defensora dos direitos humanos.

Turismo discute plano de ação para incrementar economia na Costa do Cacau

Plano de Ação Costa do Cacau (5)

Ações conjuntas visando ao incremento da economia foram amplamente discutidas  durante reunião entre o secretário Estadual do Turismo, Fausto Franco, os integrantes da Câmara de Turismo da Costa do Cacau, prefeitos e lideranças empresariais daquela região, no Centro de Convenções de Ilhéus.

 

Plano de Ação Costa do Cacau (1)A presidente da Câmara de Turismo, Maria Aparecida Aguilar, apresentou itens da pauta prioritária que inclui a consolidação da Estrada do Chocolate, como produto turístico, e novos investimentos na infraestrutura aeroportuária, dentre outros itens. Os participantes da reunião destacaram a relevância de ações já realizadas em conjunto com o governo estadual e apontaram a necessidade de se elaborar de um plano de novas ações para a Costa do Cacau.

 

O secretário Estadual Fausto Franco iniciou sua fala destacando a importância dos municípios da região para o turismo da Bahia e o interesse do governo em atuar de forma eficaz na solução das demandas. “Vamos atuar na valorização intensiva desse roteiro que oferece sol e praia, história, cultura, gastronomia e ecoturismo, emoldurados pela Estrada do Chocolate”, afirmou. “Nas ações relativas à infraestrutura, por exemplo, buscaremos resultados com a transversalidade entre secretarias”.

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Hospital Costa do Cacau divulga resultado de seleção de profissionais

hospital da costa do cacau

O Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Administração Hospitalar (IBDAH) divulgou, há pouco, resultado do processo seletivo para cadastro de reserva do Hospital Regional Costa do Cacau, em Ilhéus. A seleção foi iniciada com envio de currículo, seguido de provas e entrevistas, de quinta (21) a segunda (25).

A relação dos aprovados pode ser conferida clicando aqui.

Rui autoriza início das obras de ampliação do Hospital do Oeste

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O Hospital do Oeste (HO), em Barreiras, passará por obras de reforma e ampliação. A ordem de serviço que autoriza o início da primeira etapa da reforma foi assinada nesta sexta-feira (29) pelo governador Rui Costa, durante agenda de compromissos na cidade. Além da ampliação das enfermarias, Rui autorizou a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) a lançar o edital de licitação para a implantação do serviço de hemodinâmica e construção do necrotério da unidade hospitalar. No total, serão investidos R$ 5,24 milhões no projeto, que será concluído em três etapas.

“Eu sinto muito orgulho de cumprir meu compromisso com o oeste da Bahia. Nós iniciamos hoje uma mudança de perfil do HO para torná-lo um hospital mais completo, que terá serviços de oncologia e de hemodinâmica, ampliando o atendimento à população”, afirmou o governador, que anunciou o prazo de cinco meses para a conclusão da ampliação dos leitos de enfermaria.

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Inicialmente, serão construídos dois blocos de enfermarias com internação de adulto com 62 leitos, sendo um deles de isolamento. Nesta etapa serão aplicados R$ 2,89 milhões em 1.140,56 metros quadrados de área construída. Em seguida, serão iniciadas as obras de reforma e ampliação do necrotério e hemodinâmica, e a implantação do serviço de radioterapia e braquiterapia, nos quais o Governo investirá R$ 2,34 milhões. Na terceira e última etapa, será construído o serviço de quimioterapia e também a UTI adulto com 20 leitos.

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Finanças da Bahia estão em boa situação, diz estudo divulgado pelo Valor

finançasLevantamento sobre a capacidade financeira dos Estados divulgado pelo jornal Valor Econômico classifica como boa a situação da Bahia, que obteve 276 pontos, apenas 12 abaixo da pontuação máxima registrada no ranking elaborado sob a coordenação do economista Paulo Rabello de Castro. O estudo considerou dez indicadores para montar o ranking de saúde financeira dos Estados.

Oito governos estaduais aparecem no topo, que é liderado por Paraná e Pará, seguidos por Distrito Federal, Ceará, Bahia, Espírito Santo, Amazonas e Santa Catarina. Entre os maiores estados do país, São Paulo ficou bem abaixo na escala, com 198 pontos, e teve o perfil classificado como razoável. Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais obtiveram classificação ruim, respectivamente com 143, 131 e 128 pontos. Roraima, com 81 pontos, foi o único a apresentar situação considerada péssima.

O estudo aferiu ainda a proporção entre a receita disponível e a receita corrente líquida, e a Bahia, com 83%, alcançou 22 pontos, cinco abaixo do máximo registrado. Neste quesito, São Paulo fez apenas oito pontos, figurando entre os estados em pior situação. Rio Grande do Sul, com três pontos, Rio de Janeiro, com dois, e Minas Gerais, com apenas um, ocuparam os três últimos lugares neste segundo ranking, liderado pelo Distrito Federal.

“Dizer que todos os estados estão quebrados é uma simplificação perigosa e até danosa para a análise da situação fiscal brasileira. Fica parecendo que são todos farinha do mesmo saco”, afirma Paulo Rabello de Castro na reportagem do Valor, publicada na edição que circulou sábado (23), domingo (24) e segunda-feira (25).

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Metrô e VLT do Subúrbio modernizam transporte urbano em Salvador

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Com 470 anos de fundação, comemorados nesta sexta-feira (29), Salvador mistura história e modernidade. Nos últimos anos, o sistema de transporte da capital baiana tem passado por grandes mudanças. O metrô entrou em funcionamento, os trens do subúrbio vão ser substituídos pelo Veículo Leve de Transporte (VLT) e uma nova Estação Rodoviária será construída.

m 1Realizados pelo Governo do Estado, esses investimentos impactam não apenas no jeito do soteropolitano se transportar. “Investir em mobilidade é criar condições de infraestrutura urbana para o desenvolvimento econômico, para a melhor qualidade de vida da população”, afirmou o secretário da Casa Civil, Bruno Dauster.

Para o secretário, houve um salto de qualidade no transporte de Salvador. Há cerca de cinco anos, a cidade possuía um dos piores índices de mobilidade do Brasil e da América Latina. A perda de tempo desestimulava a economia e desgastava a população.

O metrô ajudou a reduzir o tempo de deslocamento. Com duas linhas, o sistema vai da Estação da Lapa ao bairro de Águas Claras, passando pelo Acesso Norte, e chega até o Aeroporto de Salvador, integrado às linhas de ônibus. Hoje, a operação já está completamente adaptada à rotina dos moradores.

“Estamos com uma média de 370 mil passageiros por dia. Temos esquemas de funcionamento especial para os dias de festas, para todos os shows e jogos, inclusive para o Carnaval”, explica o coordenador de atendimento da CCR Metrô Bahia, empresa que administra o sistema, Leonardo Balbino.

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O general, o capitão, a emenda e o soneto

A0 PÉ DA GOIABEIRA lopes

 

moro LulaEu já sabia (seus eleitores, talvez não) que o presidente da República é incapaz de escrever com o mínimo de correção. Talvez por isso ele escolheu comunicar-se pelas redes, território onde se escreve pouco e com baixo índice de exigência com a chamada língua culta.  Quando fala, é aos arrancos, sem coerência, repetindo expressões batidas (“acabar com isso aí”, “mudar isso daí”). Essa falta de preparo já envergonhou os brasileiros em Davos, quando, na busca de investidores para o Brasil, o presidente teve de encerrar o discurso após rápidos cinco minutos.  “Faltam-me as palavras”, poderia ter dito. Mas não disse, porque não tinha nem estas.

 

Este meu conhecimento empírico agora ganha uma referência técnica: o economista Gabriel Brasil, por amor à precisão científica, analisou os textos do presidente no tweetter e concluiu: “praticamente um em cada quatro tweets de Jair Bolsonaro tem erro de português.” O pesquisador pegou como amostra todas as postagens do Capitão entre 1º de janeiro e 11 de março de 2019, constatando uma fartura de erros gramaticais ou ortográficos. No período, o tuiteiro-geral da República publicou 381 mensagens, sendo que 86 (22,5%) delas continham, pelo menos, um pontapé no traseiro da gramática.

 

“O juiz federal Sérgio Moro aceitou nosso convite para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Sua agenda anti-corrupção, anti-crime organizado, bem como respeito à Constituição e às leis será o nosso norte!” – escreveu o presidente de extrema-direita.

 

O pesquisador viu erros na hifenização (o correto é “anticorrupção” e “anticrime”) e na pontuação (a explicativa “bem como o respeito à Constituição e às leis” deveria estar entre vírgulas).

 

Como o homem é tão ruim de escrita quanto de fala, arrumaram-lhe, para evitar que ele desse tanta pedrada, um porta-voz (general, é óbvio). Pois saiba a inocente leitora – e quem mais se der à perda de tempo de ler as diatribes deste Barão – que o general, dito Otávio Rego Barros (abaixo, no traço de Aroeira), que fala pelo Capitão reformado, se mostra à altura do “patrão” (parece um caso raro, em que a emenda, se não é pior do que o soneto, também não lhe fica devendo em estupidez). Se duvidam, vejam a pérola que o homem divulgou, na segunda-feira, 25 (pérola que vai aqui entre aspas, pra que nenhum desavisado pense que este Barão perdeu de vez o juízo e é autor de tal sandice):

 

“Nosso presidente já determinou ao Ministério da Defesa que faça as comemorações devidas com relação ao 31 de março de 1964 incluindo a ordem do dia, patrocinada pelo Ministério da Defesa, que já foi aprovada pelo nosso presidente”.

 

Em outro momento, o porta-voz “explica” como a patacoada deve ser feita, uma oportunidade aproveitada para dar um rabo de arraia na já sofrida gramática portuguesa:

 

“Aquilo que os comandantes acharem, dentro das suas respectivas guarnições e dentro do contexto, que devam ser feitas”, cravou o porta-voz – inaugurando um modelo próprio de concordância (“aquilo que…devam ser feitas”).

 

Estamos, portanto, com um presidente analfabeto funcional que tem como porta-voz um general analfabeto funcional. No mínimo, adequado.

 

E mais não digo, nem preciso dizer. Apenas conclamo os alunos da 8ª série a que tapem o nariz e peguem o lápis vermelho, antes de ler esta coisa. Talquei?

 

 

 

(As diatribes do Barão e sua equipe são publicadas às terça e sextas, quer chova, quer faça sol)

 

PERFIL DO BARÃO

 

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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