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Jânio e Collor tinham mais juízo do que o Capitão reformado

A0 PÉ DA GOIABEIRA lopes

bddepd@gmail.com

Desde a campanha de 2018, tenta-se comparar um improvável (hoje, infelizmente, real) governo o clã Bolsonaro a períodos cinzentos de nossa história. Para uns, ele era Collor, para outros, Jânio, para outros tantos (versão ainda mantida), uma reedição do golpe de 1964, que, estranhamente, nos chegava pelas urnas.  Eram comentários de bastidores ou de blogs nanicos, pois a grande mídia, TV Globo à frente, e (em segundo lugar, mas não menos impotantes), os tribunais jamais se preocuparam com a louvação que o candidato fazia ao assassino Brilhante Ustra, os BOs a propósito de roubo de joias na própria família (denúncia da ex-esposa), os ataques frontais a minorias desamparadas ou o desrespeito às famílias de opositores executados pelo Exército. A omissão (às vezes, a clara conivência) da mídia foi muito importante em todo o processo de ascensão da extrema-direita, hoje no poder.

Foto.1Entretanto, pouco tempo passado de um presidente que não tem a mínima aptidão (ou dignidade) para o exercício do cargo – que cogita até entrar numa guerra contra país vizinho e amigo, para que os Estados Unidos se apropriem do petróleo venezuelano – não resta dúvida de que Collor e Jânio Quadros, irmãos em trapalhadas, tiveram muito mais juízo. E digo, (porque vi Jânio, Collor e  a ditadura) que o governo desse clã é moralmente pior do que Castelo Branco e os militares seguintes: à época, tínhamos alguns generais atrabiliários (isto é inevitável!), mas a ditadura tinha apoiadores do valor intelectual de Lacerda, Nelson Rodrigues, Delfim Neto, Mário Henrique Simonsen, Reis Veloso e outros (a Globo se mantém coerente: apoiou a ditadura, Collor e Bolsonaro).

Hoje, além do Capitão reformado – que nunca dirigiu, sequer, uma cavalariça  do Exército – temos a cota habitual de generais atrabiliários (nenhum deles mais do que o Capitão B., diga-se, a bem da verdade) e três filhos do presidente, todos enlameados (ou “enlaranjados”?) até a medula, mais uns desqualificados do padrão Alexandre Frota, Damares Alves, Silas Malafaia, Joyce Não-Sei-do-Quê e Vélez Rodriguez (o ministro da Educação que não fala português!). Não vai dar certo, porque não pode dar certo.

Cordão dos puxa-sacos

A partir de hoje, este Barão passa a contar com mais um puxa-saco (em verdade, uma puxa-saco, que chamaremos eufemisticamente de “colaboradora”, a sra. Líliam Porcão, dita “a Independente” – até parece!) metida a analista de economia, política e temas difusos. E em seu primeiro texto, LP já diz a que veio. Sua bajulação (prontamente aprovada por mim!) é tão explícita que, de imediato, dei-lhe uma promoção salarial: ia ganhar 30 dias por mês, agora vai ganhar 31, livre de impostos. Eis sua primeira intervenção:

 

“O Barão para presidente

Foto.2Penso na possibilidade de fazer meu querido chefe, o venerável Barão de Pau d´Alho,   presidente da República, pra acabar com a pouca vergonha que se instalou em Brasília. Em que me baseio? Baseio-me na “nova” interpretação que o Brasil, seguindo as ordens de Trump, o Topetudo, dá hoje às relações internacionais. Se antes a inteligência mundial defendia a autodeterminação dos povos, agora qualquer Capitão reformado, seguido de uma trupe de malamanhados, se acha no direito de, combatendo o governo da Venezuela, reconhecer como legítimo um oportunista que se declarou “presidente interino”.

Se um cara chamado Gerardo Guaidó pode se dizer presidente da Venezuela, por que alguém de nobre estirpe e proprietário de barba vasta e grisalha como o Barão não poderia? Além do mais, meu querido chefe é intelectualmente mais qualificado do que essa gente lesa que ocupa o Planalto: o Barão já leu até as orelhas de Guimarães Rosa (enquanto o Capitão reformado parece ter lido apenas o Manual de Procedimentos do Exército – e não entendeu bem aquilo dali). Como se isso fosse pouco, meu querido chefe fala português, neste Brasil enlouquecido em que o ministro da Educação fala portunhol e o presidente não fala coisa com coisa.

Com mais meia dúzia de trapalhadas desses velhacos civis, fardados e fundamentalistas religiosos,  anuncio – por absoluta falta de paciência com a estupidez oficial – o Barão de Pau d´Alho como presidente interino do Brasil.

Já escolhi até a divisa, ainda dependendo do sábio referendum do querido chefe: “Nosso Brasil jamais será laranja”.

(Líliam Porcão, a Independente)

 

(As diatribes do Barão e sua equipe são publicadas às terças e sextas, quer chova, quer faça sol)

 

 

 

PERFIL DO BARÃO

1111Todos mostram seu perfil, também vou mostrar o meu. Chamo-me Marcos Aparício Lins Machado de Guimarães Rosa, e, logo se percebe, não sou propriamente uma pessoa, mas uma homenagem: cada um desses nomes tem um significado para mim, mas não vou tirar de ninguém – se não o prazer, ao menos o exercício de identificá-los.

Atendo também por Barão de Pau d´Alho (e isto tem a ver com o cheiro de minha terra – aí uma pista para pesquisadores ociosos). Sou um jornalista modesto, se é que isto existe, pois escolhi esse título honorífico de menor impacto, quando bem me poderia autoproclamar Marquês da Cocada Preta, Conde de Macuco ou Duque Sei-Lá-do-Quê.  A propósito, os títulos de nobreza (tiremos daí os reis e príncipes, gente de outra classe) são, em ordem decrescente de importância, duque, marquês, conde, visconde e barão, caso não me engana e a história – e ao dizer isto já denuncio este como um espaço dedicado à informação…

Apesar do velho adágio “nobreza obriga”, não sou muito de frequentar as ditas rodas sociais, muitas vezes parecidas com rodas da malandragem: vivo um tanto isolado do lufa-lufa da cidade, envolvido com meus livros, um tabuleiro de xadrez e uns discos de jazz e MPB. Quando acometido da fadiga do tédio, ou se quero sofrer um pouco, ligo a tevê, assisto a um noticiário, registro um monte de agressões à língua portuguesa, me canso e retorno à  rotina. Novela, não vejo nunca, pois meu masoquismo ainda não chegou a tais extremos. Nada de telefone nem zap-zap, não sei bem o que é rede social, para  mim rede é aquela coisa que os pobres do Nordeste usam em substituição à cama, e que os ricos têm nas casas de praia.

Procuramos fazer aqui, semanalmente, uma coluna, erguida com  as coisas que nos derem na telha, deixando a eventuais leitores espaço para os devidos xingamentos, pois vivemos, formalmente, em regime democrático. Diga-se ainda que, por se tratar de um espaço politico-ecológico, escolhi para musa da coluna aquela moça chegada a encontros religiosos em altos de goiabeiras – e de cujo nome, graças a Deus, já esqueci.

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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