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A0 PÉ DA GOIABEIRA lopes

Renunciar à solidariedade é perder a essência

Ao acordar no hospital (HRCC, Ilhéus), me vi envolvido em carinho, sobretudo de mulheres maravilhosas, umas em modelo  presencial, outras por sinais à distância. Tanto me paparicaram – Andrea, Bruna,  as escritoras Ceres Marylise, Evelina Hoisel e Margarida Fahel, Cinthia, a  crítica literária Gerana Damulakis, Ivone Lins, Rosana, Marta Almeida (colega que mora no Canadá), Martha Maria, Nádia (dona da Pousada onde moro, e que me levou ao hospital),  Sandra (a enfermeira que fez meu primeiro atendimento), Yohanna e Mariana (amiguinhas de dez  e nove anos), Laura Ganem, Marilu (Maria Luíza Pinheiro)– que, no primeiro instante, imaginei ter morrido e, por justiça divina e modéstia, encontrar-me no Paraíso, devidamente cercado de anjos. Digo aos infelizes mortais que a coisa foi de tal monta que às vezes me pego querendo ter outro troço, só pra desfrutar de tais mordomias.

Imagem solidariedadeQue a ala masculina não me tome por ingrato – é  que, por (má) educação de berço nobre, tenho alguma dificuldade para externar sentimentos sobre homens, se é que vocês me entendem. Sou do tempo em que meninas vestiam rosa, meninos vestiam azul e não comiam suflê, não choravam nem usavam remédio em formato de supositório.

Saibam, porém, que a solidariedade (por naturais avarias na memória, não cito todos) de Aleilton  Fonseca, Cau, Carlos Farias, Carlinhos Magno, Carlos Sodré, Davidson Portela, Geraldo Borges, Geraldo Simões, Giovanni Venner, Gute Sá, Humberto Cavalcante, Gustavo Cunha (também em nome da Academia de Letras de Ilhéus), o capitão     PM Hugo Veloso, José Neme, Kleber Torres, Laurindo Lopes Neto, Marcelo Ganem, Marival Guedes, Paulo Gustavo Cavalcante Lins, Pedro Afonso Lins, Quirino Araújo, Raimundo Garcia, Raimundo Tedesco, Ramiro Aquino, Robson Nascimento, Rogério Silva, Ronaldo Oliveira, Ruy Tatu, Tyrone Perrucho e Walmir Rosário  muito me emocionou.

Tudo isso, que já não é pouco, foi somado ao esforço da equipe do HRCC (enfermagem, cardiologia e neurologia), dando como resultado estar eu aqui, lépido, fagueiro e disposto a resistir às iniquidades federais já perpetradas ou ainda em gestação.

Assim, se vai para as damas o que me resta de lirismo, deixo aos cavalheiros o que penso ser uma reflexão adequada a estes tempos sombrios em  que nos encontramos:  lembro Saramago e lhes digo que só a solidariedade nos identifica como gente. Sem ela, restará a esse tipo chamado ser humano, já de si patético, apenas a indiferença e a ruindade. Se nos tiram a solidariedade com o sofrimento dos semelhantes, passamos a ser tão gente quanto um armário de cozinha, um cesto de roupa suja ou um caçuá de cacau mole.

Obrigado a todas (e todos!).

 

Poesia é preciso

 

“Vale, Vale, o teu vale é de lucros;
o do povo é de lágrimas.

 Pe. Fábio de Melo

 

(BddePD)

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