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Nossas Memórias

 

Eulina Lavigne

 

eulina lavigneA semana passada vimos as nossas memórias serem completamente apagadas. Uma lástima perceber a nossa desonra ao nosso passado, a todos aqueles que pertenceram a nossa história como se nada fossem e significassem. Foi deveras um descaso com a nossa cultura.

A queima dos acervos localizados no Museu Nacional do Rio de Janeiro é a simbolização concreta da nossa incapacidade de preservar o nosso patrimônio cultural. Um verdadeiro convite para refletirmos o quanto preservamos, também, as nossas relações, tudo o que construímos e conquistamos.

Fiquei deveras triste olhando aquela cena em uma tela de televisão. E fiquei a me questionar como eu fui incapaz de conhecer aquele espaço aos 57 anos? E porque eu não me empenhei em ir e levar os meus filhos para que conhecessem a nossa história?

memorias2E quantos além de mim também não foram e não levaram os filhos. E a resposta está posta às nossas vistas, para que a lástima e a indignação não sirvam apenas para nos vitimarmos de um fato onde todos somos algozes e responsáveis. Precisamos perceber a parte que nos toca neste latifúndio.

O quanto olho para a minha história e a reverencio do jeito que ela foi? E este fato também fará parte da nossa história. Eu um dia estarei visitando, revendo e pensando que foi o que restou do pouco da história que um dia os meus filhos e netos saberão. Ou não.

Somos isto, também. Exatamente isto. E poder olhar este evento, compreendendo o quanto ele me representa, é a possibilidade que tenho para, a partir deste momento, alterar ou rever algo.

E o que aprendi? O que mesmo importa? Quem sou sem histórias para contar e quem serão os meus filhos e netos se estou envelhecendo e os nossos jovens estão seguindo sem muitas referências?

Quem vai lutar por isto ou aquilo se nada disso importa? Aprendo que sempre que excluímos algo ou alguém, ou deixamos de ver algo que precisa ser visto, a responsabilidade ficará com as gerações seguintes para reparar a exclusão ou o não reconhecimento. E esta reparação pode ser muito dolorosa e ao mesmo tempo integradora e conciliadora.

Vamos aguardar o que nos será revelado. Talvez eu não esteja nem aqui para ver.

Então, vamos compreender que é assim que pôde ser e de alguma forma os fatos serão contados quando alguém revisitar o que restou do museu, e saber que tudo aquilo foi o que restou da nossa história.

Penso que este fato estará gravado na consciência de muitos brasileiro e esquecido por outros pois, como dizem os Tribalistas, fora da memória tem uma recompensa. Um presente para você, você que não pensa. No que foi, no que será, no que foi, no que viria. Fora da memória tem uma regalia, para quando você acordar todo o dia. Fora da memória tem uma fantasia, para você recordar todo o dia de esquecer, de esquecer.

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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