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Archive for julho 28th, 2018

De Itabuna, para Jorge, com amor?

Daniel Thame

 daniel flicaItabuna celebra 108 anos de emancipação neste 28 de Julho e está mais do que na hora de ´fazer as pazes` com seu filho mais ilustre, Jorge Amado, algo que infelizmente não pôde ser feito enquanto o escritor estava vivo.

O descaso (desprezo talvez seja a palavra mais correta) de Itabuna para com Jorge é algo palpável, embora não faça qualquer sentido.

Se é verdade que boa parte da fase cacau da literatura de Jorge Amado esteja centrada em Ilhéus, onde ele passou parte da infância e da adolescência, e que  na sua semi-autobiografia “Navegação de Cabotagem”, tenha se referido ao local em que nasceu, Ferradas (mais por molecagem típica de suas brincadeiras do que por ofensa) como o “cú do mundo”, não é menos verdade que em qualquer parte do planeta em que se faça uma busca pelo nome do escritor, lá está Itabuna como sua cidade natal.
Jorge Amado é, portanto, um grapiúna de Itabuna, por mais do que os ilheenses lhe dediquem zelo, amor e devoção.

jorge amadoSe Ilhéus soube capitalizar a figura de Jorge, a ponto de tê-lo como referência turística e ´embaixador informal` da recém descoberta indústria chocolateira, mérito dos ilheenses.

Lembro-me que quando o escritor morreu, na então gestão de Geraldo Simões, cheguei a sugerir que o nome de Jorge Amado fosse dado à atual avenida do Cinquentenário, que  cá pra nós já não fazia e faz menos sentido hoje numa cidade com quase chegando nos 110 anos.

 

Antes que a proposta chegasse a cruzar o gabinete do prefeito, tocaias grandes, pequenas e (não tão) invisíveis, fizeram com que a idéia morresse antes de chegar na página dois.

Jorge se quisesse que se contentasse com o nome de um bairro popular (de gente honesta, batalhadora, diga-se) nos confins da periferia e um busto na entrada de Ferradas que, alvejado por tiros, foi repousar seguro e semiescondido na Universidade Federal do Sul da Bahia- UFSB, que só pra confirmar a exceção à regra, deu a seu campus em Itabuna o nome do escritor.

capa Jorge100anosAmadoJorge Amado ignorou Itabuna e priorizou Ilhéus em seus livros? Leiam Tocaia Grande. Ou melhor, leiam e se deleitem com o livro “A Descoberta da América pelos Turcos” escrito especialmente para as comemorações dos 500 anos do descobrimento (ocupação?) da América, que  foi considerado pelo autor, Jorge Amado, como um romancinho.

O diminutivo deve ser visto como algo carinhoso, porque o livro mantém a genialidade, e escrita leve e a ironia fina de Jorge. As aventuras e desventuras dos árabes (na época chamados genericamente de turcos) Raduan Murad, Jamil Bichara e  Ibrahim Jafet, este último viúvo e pai de três lindas filhas (Samira, Jamile e Fárida), mas que não consegue desencalhar a feiosa Adma,  compõem um cenário delicioso dos primeiros anos da Itabuna do início do século passado, uma cidade aberta, hospitaleira, empreendedora, características que formam base de sua identidade.

Igualmente deliciosa é a solução para o drama de Ibrahim, poupando Jamil da tentação do diabo, mas revelando em Adma  um encanto divino, a que Jorge se refere com a língua afiada de sempre. Um tal b… de anjo, ou de b… chupeta.

O resgate do livro, que na época em que foi lançado não  teve a devida repercussão por essas plagas, bem que poderia marcar o reencontro da cidade com Jorge Amado, pondo fim (ah, Gabo, perdão pelo trocadilho infame), a mais de 100 anos de solidão.

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Daniel Thame é paulista por acidente, baiano por opção, itabunense de coração; jornalista e autor do livro “Jorge100anosAmado, tributo a um eterno Menino Grapiúna”

Nas profundezas da caverna

Eulina Lavigne

 

eulina lavigneEra para ser a comemoração do 17º aniversário de Peerapat Sompiangjai que terminou em uma grande comemoração. Podemos dizer em 13 renascimentos e tantos outros.

Sem querer fazer analogias ou comparações, quero hoje refletir sobre o simbolismo que esse evento traz, pelo menos para mim, e que mobilizou muitos países e pessoas. Um evento forte de extrema grandeza e beleza apesar dos vários intemperes.

O nome da caverna completo é Tham Luang Khun Nam Nang Non – “a grande caverna e fonte de água da mulher adormecida da montanha”. Uma mulher adormecida que a todos nós acordou para juntos, de alguma forma, vivenciarmos os nossos medos, as nossas dores, a nossa esperança, confiança, resiliência, fé, união, ahhhh e principalmente o amor.

cavernaO amor ao próximo. O desejo de que tudo desse certo independente de quem fosse ou onde estivesse. As orações, os rituais com frutas, incenso e velas para demonstrar respeito ao espírito que protege a caverna; as músicas que eram cantadas na entrada da caverna e as mensagens escritas nos quadros das escolas e em tantas partes. Uma total entrega em prol da Vida!

Foi uma oportunidade para grandes aprendizados. E será que aprendemos? Para mim foi um chamado que recebemos para olhar para aqueles que sofrem e que se encontram em situação de vulnerabilidade. O que podemos fazer por alguém que está ao nosso lado e que poucas vezes nos importamos?  Será que precisamos estar perto para cuidar?

Como nos comportamos quando vivenciamos uma situação de grande risco? Será que paramos para respirar e aquietar a mente por um instante para retomar o equilíbrio necessário para buscar soluções viáveis? Ou nos desesperamos e abrimos mão de tantas possibilidades?

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Sobre o Feminismo

Helena Rince

 

O feminismo é um dos movimentos que mais transformaram a ordem estabelecida em nossas sociedades. É um movimento que luta contra todas as formas de opressão exercidas sobre as mulheres, e busca incansavelmente a igualdade entre os gêneros. Dentro do movimento feminista, são discutidos temas como: violência doméstica, feminicídio, assédio, diferenças salariais e de oportunidades no mercado de trabalho, objetificação, desigualdade de gênero, dentre outros.

Apesar de todas as conquistas das mulheres nas últimas décadas, ainda vivemos em uma sociedade patriarcal e machista.  Numa sociedade em que, por exemplo, violência contra a mulher é justificada com o argumento “se apanhou é porque fez alguma coisa”, dentre outras situações cotidianas que tentam o tempo todo subjugar as mulheres, percebemos como ainda há muito a ser mudado. Não é fácil ser mulher, mesmo nos dias de hoje, sendo que a todo o tempo precisamos combater situações que nos agridem pelo simples fato de sermos mulheres.

O feminismo é importante por fornecer subsídios para que as mulheres encontrem meios de sobrevivência em meio às dificuldades. Foi o feminismo que nos permitiu o direito ao voto, foi o feminismo que permitiu que mulheres casadas conquistassem sua autonomia, foi o feminismo que fez com que o feminicídio fosse reconhecido juridicamente, dentre outros.

Não existe um modelo padrão de mulher feminista. Se uma mulher decide não casar, não ser mãe, e investir em sua carreira profissional, ela é feminista. Se ela escolheu abrir mão do trabalho, pra se casar, ser dona de casa e cuidar dos filhos, ela também é feminista. A maior beleza do feminismo, é que ele não se trata de impor padrões a serem seguidos como uma cartilha, e sim, permitir à mulher o direito de escolher o seu próprio caminho, tendo sua integridade física, moral e psicológica protegidas.

Através do feminismo, as mulheres puderam se encontrar, se desacorrentarem das ideias machistas, e coletivamente falando, perceberam que não estão sozinhas nessa luta. Apesar de o senso comum tentar perpetuar a ideia que o movimento feminista se trata de uma disputa entre homens e mulheres, e que surgiu com a proposta de ser o oposto do machismo praticando ódio contra os homens, a verdade é que o feminismo se trata justamente de combater as ideias deturpadas que a corrente machista impõem. Feminismo não existe para oprimir, ofender ou agredir os homens, e sim, para combate esse problema.

As ondas de desenvolvimento e a cacauicultura do Sul da Bahia

        Antonio Cesar Costa Zugaib

 zugaibA cacauicultura do Sul da Bahia já passou por diversas ondas de desenvolvimento. Primeiro foi a onda de desenvolvimento agrícola quando os produtores de cacau: baianos, árabes e sergipanos substituíram as plantações de cana de açúcar com seus diversos engenhos espalhada neste rica capitania de São Jorge dos Ilhéus, por plantações de cacau. Com suor e luta os produtores de cacau implantaram nesta região um sistema denominado Cabruca, sistema este admirado no mundo inteiro, pois consegue extrair da terra seu valor econômico, conservando e preservando a mata atlântica.

Neste sistema de produção de cacau existente há cerca de 250 anos, a cacauicultura do Sul da Bahia despertou o mundo produzindo uma quantidade significativa de cacau estimulando o interesse de exportadores e processadores a se localizarem na região dando início a segunda onda de desenvolvimento, que chamamos de industrialização. Vieram os Kaufmann, implantando inicialmente o Chocolate Vitória, os Wildberger trazendo as empresas exportadoras e posteriormente as indústrias Barreto de Araújo, a Berkau, a Cargil, a Chadler, a ADM Cocoa, a Nestlé, assim como, através da organização dos produtores locais a Itaísa. Neste ciclo de desenvolvimento produzimos líquor, torta, manteiga e pó de cacau. Iríamos chegar a cobertura do chocolate quando uma série de fatores conjunturais e estruturais desagregaram a economia cacaueira, culminando com a chegada vassoura-de-bruxa provocando um retrocesso sem precedentes dessa economia, com fechamento de fábricas e descapitalização dos produtores.

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Foto: José Nazal

Local conhecido há quase cinco séculos como “Ponta dos Garcês”, na margem direita da Foz do Rio Jaguaribe, limite oriental na confrontação norte das antigas capitanias hereditárias da Bahia e de São Jorge dos Ilhéus.

Local conhecido há quase cinco séculos como “Ponta dos Garcês”, na margem direita da Foz do Rio Jaguaribe, limite oriental na confrontação norte das antigas capitanias hereditárias da Bahia e de São Jorge dos Ilhéus.

A peleja da blogosfera progressista contra as mentiras da grande mídia (plim-plim)

Por Luiz Inácio Lula da Silva

lulaA história ensina que numa guerra, a primeira vítima é a verdade. Encontro-me há mais de 100 dias na condição de preso político, sem qualquer crime cometido, pois nem na sentença o juiz consegue apontar qual ato eu fiz de errado. Isso porque setores da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário, com apoio maciço da grande mídia, decidiram tratar-me como um inimigo a ser vencido a qualquer custo.

A guerra que travam não é contra a minha pessoa, mas contra a inclusão social que aconteceu nos meus mandatos, contra a soberania nacional exercida pelos meus governos. E a principal arma dos meus adversários sempre foi e continuará sendo a mentira, repetida mil vezes por suas poderosas antenas de transmissão.

Tenho sobrevivido a isso que encaro como uma provação, graças à boa memória, à solidariedade e ao carinho do povo brasileiro em geral.

Dentre as muitas manifestações de solidariedade, quero agradecer o espírito de luta dos homens e mulheres que fazem do jornalismo independente na internet uma trincheira de debate e verdade.

Desde que deixei a Presidência, com 87% de aprovação popular, a maior da história deste país, tenho sido vítima de uma campanha de difamação também sem paralelo na nossa história.

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aetu 108 anos ita

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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