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Assédio não é cantada

Ellen Prince

       ellen princeImaginem um cenário: Uma mulher vai a uma festa se divertir, e em seguida um homem a aborda, diz que a achou muito bonita e que gostaria de uma oportunidade para uma possível aproximação, e ela diz não.  Minutos depois, ele se aproxima novamente, tenta tocar em seu rosto enquanto fala de forma insistente a mesma coisa que havia dito antes. A mulher está claramente incomodada com a situação. Na primeira abordagem, a mulher em questão recebeu uma cantada, um elogio. Mas na segunda, houve claramente um caso de assédio. Não, é não.

Assédio, segundo a cartilha da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, é a manifestação sensual ou sexual sem o consentimento da pessoa a quem se dirige. Esse tipo de abordagem é acompanhado de grosserias, constrangimentos, e propostas inadequadas que humilham e amedrontam. Já a cantada ou paquera, como citei no exemplo, é uma tentativa de criar um vínculo, sem impor nenhum tipo de medo ou angústia. Pra definir se uma abordagem se encaixa em assédio ou cantada, varia do sentimento da pessoa que foi o alvo, no contexto. De como ela se sentiu com tal tentativa de aproximação. Mas muitas vezes é difícil classificar sob essa ótica, pois nem sempre a própria vítima sabe a real diferença entre as situações.

Homens e mulheres discordam em vários pontos quando o assunto é a sedução e o elogio a pessoas desconhecidas. Enquanto a maioria deles, por exemplo, acham que não há mal algum em chamar uma mulher de “gostosa” na rua, o fato é que, para nós mulheres, isso trás um sentimento de violação, de invasão, criando uma situação totalmente constrangedora. A forma que nos sentimos diante dessa situação, é como se fossemos algum objeto a disposição para os homens se manifestarem como quiserem. E isso é realmente humilhante.

Existe um limite que não pode ser atravessado e que os homens precisam saber identifica-lo, e principalmente entender. E esse limite é determinado pelo respeito. É absurdo o fato de um homem se sentir no direito de proferir qualquer gracejo para uma desconhecida na rua. Isso é questão de educação e gênero. Os homens permanecem com a eterna sensação que podem tudo, pois foi assim que eles foram ensinados a vida toda. Precisamos quebrar a ideia que isso é algo normal, que faz parte do cotidiano.

Nós mulheres, temos que ser respeitadas. Temos que exercer nosso direito de ir e vir, sem que no meio do caminho, sejamos expostas a algum tipo violência, ainda que não seja física. Continua sendo uma violência. Nós temos o direito de não precisarmos atravessar para o outro lado da rua, para desviarmos dessas exposições desagradáveis, temos o direito a não precisarmos nos privar de ambientes de convívio social, por medo de sermos assediadas. É necessário que seja sempre debatido o tema, para que esse linha tênue que separa a cantada do assédio, seja exposta, e as pessoas compreendam de fato, todos os danos que esse comportamento nocivo desencadeia para todas nós.

 

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Ellen Prince é estudante de Ciências Contábeis, pesquisadora e militante dos direitos da mulher

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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