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Archive for junho 30th, 2018

Artes & Artistas

art 1

A arte de Ilton Silva é eterna

 

Juraci Masiero Pozzobon

art 3O artista plástico, Ilton Silva, é autodidata, nasceu em 1943, entalhador, escultor, desenhista e pintor. Ilton já pintou todos os temas regionais desde paisagens a rostos humanos impregnados de conotações sociais.

Ilton Silva nasceu em Ponta Porã, MS, filho de Conceição dos Bugres, que foi consagrada escultora primitivista, criadora dos bugrinhos em madeira, referência cultural do estado, MS. Os temas de Ilton refletiam a vida humilde da infância, vida essa que teve contato com a natureza, peixes, animais silvestres, cavalos e  com gente humilde que lhe permitiu construir simbolicamente onde o real e o imaginário se cruzavam para comunicar o inconsciente. Seus trabalhos oscilavam com o claro/escuro, o místico/real e o metafísico/terrestre. Mesmo tendo passado por diversas fases, suas pinturas feitas em suas cores e mitos eram marcas registradas em seus trabalhos com personagens chapados.

art 4

Ilton Silva explorava de maneira versátil e criativa em suas pinturas, usava qualquer material desde o pincel, espátula até trapos de algodão. Ilton era num vai e vem entre um ateliê que possuía em Itapuá, SC à Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Um artista renomado, onde estão distribuídos seus trabalhos com colecionadores, galerias e museus, participava de exposições no Brasil e no exterior.

art 2

O artista fez parte da associação Mato-Grossense de Artes (AMA) em 1967, onde foi a sua primeira exposição. O público pode visitar seu acervo no Museu de Arte contemporânea em Campo Grande, MS. Ilton foi apaixonado pelo que fazia, ”pintar, pintar e pintar”. Ele deixa essa Terra no dia 23 de junho de 2018 para outro plano. De Itapoá, SC, onde morava, foi feito o traslado a Campo Grande, MS, pela Fundação de Cultura. Despedida no MARCO (Museu de Arte Contemporânea).

Ilton Silva deixa sua arte como um legado de luta e resistência!

Paz e luz, amigo Ilton!

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juraci maziero Juraci Masiero Pozzobon, Bacharel em Artes plásticas na UNIC – Cuiabá,

Graduada em Ensino da Arte pela FASIPE e Arte Terapia pela Cândido Mendes, RJ.

Doutora em Epistemologia e História da Ciência pela Instituição Iesla/UNTREF – Buenos Aires, Argentina.

 

Juninho Espoliano em “Falando da vida dos outros”

Deixa a mulher falar

Ellen Prince

 

ellen princeSabe aquele hábito chato que alguns homens tem, em interromper a fala de uma mulher? Num debate, ou reunião, por exemplo. Uma mulher tenta expor suas ideias, seu ponto de vista, e sem conseguir concluir seu raciocínio, simplesmente é interrompida no meio do caminho. Pois é, esse hábito tem nome: manterrupting. A palavra é uma junção de “man” (homem) e “interrupting” (interrupção) e, em tradução livre, quer dizer “homens que interrompem”.

O que aparentemente é algo minimalista demais para se identificar e compreender, a medida que vamos observando situações semelhantes com outras mulheres, percebemos que há um padrão, uma frequência com que esse comportamento por parte dos homens acontecem.Isso parte de uma construção do homem como o líder, engajado na sociedade em todas as suas esferas, tendo espaço, voz e poder de decisão. Paralelamente a isso, as mulheres foram criadas para serem do lar, sem terem espaço de fala. Do início de tudo aos dias de hoje, houve muita evolução, mas dentro desse processo evolutivo, certas raízes permanecem. O manterrupting é uma dessas consequências. É como se o que a mulher tem a dizer, não fosse tão importante quanto o que o homem diz, por se entender que não temos o direito a ter opinião e nem inteligência o suficiente para tal, principalmente quando essa opinião vai de contra o ponto de vista masculino, ou de algum modo, ainda que parta da mesma linha de raciocínio, se sobreponha ao mesmo.

       Esse comportamento se cruza com a constante subestimação intelectual que as mulheres sofrem. Não importa o quanto a mulher é inteligente, ela sempre será mais questionada e mais desacreditada que o homem. Como se não fossemos capazes de produzir intelectualmente, num nível digno de respeito e entendimento. Não se trata de quantidade, e sim, de valor social. Machismo não é somente Estupro, violência doméstica, restrição econômica, submissão e subserviência. Gestos que parecem inofensivos, como o hábito de interromper a fala feminina, na verdade roubam nossa força, nosso espaço e limitam as nossas possibilidades.

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Ellen Prince é estudante de Ciências Contábeis, pesquisadora e militante dos direitos da mulher

Polo Petroquímico 40 anos: parceria com Governo da Bahia se consolida e ganha vigor para o futuro

polo camaçari

Isaac Jorge

isaac jorgeEm 25 junho de 1978 o humor dos brasileiros não era lá dos melhores. Afinal, após uma campanha frustrante da nossa Seleção na Copa da Argentina, testemunhamos a geração dos hermanos Kempes e Passarela conquistar o mundo ao bater por 3 x 1 a Holanda em uma partida cheia de emoções. Na Bahia, quatro dias após a final no futebol, entrava em operação o então chamado Polo Petroquímico de Camaçari. Era o primeiro lance de uma campanha vitoriosa, com várias histórias de sucesso, sendo uma delas a dobradinha entre as indústrias do complexo e o Governo do Estado, por intermédio da hoje Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).

Os bons times geralmente precisam de um tempo para atingir o entrosamento desejado. No caso em questão, foram nada menos que três décadas. Afinal, em campo estava um gigante que emprega 45 mil pessoas direta e indiretamente, além de recolher R$ 1 bilhão de ICMS por ano: números grandiosos, prazos generosos. Testemunha e participante do amadurecimento dessa relação, o superintendente do Cofic (Comitê de Fomento Industrial de Camaçari) Mauro Pereira explica que a parceria entre Polo e Governo sempre foi forte, porém na comemoração dos 30 anos do complexo ela “ganhou uma característica de proximidade mais intensa”.

Ele recorda que em 2009 foi feito um grande esforço de colaboração, com o apoio também da Fieb, que resultou no Guia de Atração de Investimentos do Polo Industrial de Camaçari. Integrante do programa Polo + 30, capitaneado pelo Governo, a publicação apresentava um levantamento detalhado das novas oportunidades de investimento e perspectivas para o complexo industrial, identificadas a partir de necessidades de adensamento e complementação das cadeias produtivas existentes. Questões como “isonomia tributária; infraestrutura e logística; matéria prima e matriz energética; plano diretor para as próximas décadas; formação da mão de obra; inovação e tecnologia; e expansão e diversificação industrial, foram olhados de maneira sistêmica, com vistas à atração de investimentos”, conta Pereira. De fato, o documento avançou em temas caros ao pensamento que começava a se cristalizar na sociedade na virada do século, como controle e proteção ambiental e capacitação de mão de obra.

Primeira mulher a chefiar a SDE, e por isso símbolo da renovação constante que se pretende na relação entre público e privado, a secretária Luiza Maia destaca a importância do Polo Industrial na vida dos baianos e ressalta a confiança mútua que sempre azeitou o diálogo com o governo. “Se hoje a conversa é franca e transparente, isso se deve à boa convivência cultivada durante anos. Nossa missão é pegar o que já é bom e transformar em ótimo. Quem ganhará com isso serão os trabalhadores e a população em geral”, projeta.

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Foto: José Nazal

Foz do Rio do Braço, no encontro com o Rio Almada, distrito de Rio do Braço, Ilhéus

Foz do Rio do Braço, no encontro com o Rio Almada, distrito de Rio do Braço, Ilhéus

A fé

feEulina Lavigne

eulina lavigneÉ uma palavra tão abstrata, tão impalpável e para mim tão presente que eu de fato não a questiono, pois questioná-la seria perde-la.

A fé é uma força tão potente que não admite duvidas e nem incertezas. Quando você imagina algo como verdadeiro com absoluta certeza, como um desejo da Alma, sem deixar que o seu ego interfira nesse processo, sabemos que esse algo se materializa.

Muitos desacreditam nisso e creio que a maioria das pessoas já viveu experiencias de materialização sem se dar conta da sua capacidade para fazê-la. Então eu lhe pergunto: você algum dia já desejou falar com uma pessoa e imediatamente essa pessoa te ligou? Ou desejou encontrar uma pessoa e de repente ela aparece em sua frente? Será que um dia já acordou cantando uma música e quando ligou o rádio a música que estava cantando estava tocando? E você acredita ainda que isso é coincidência?

Isso diz respeito a nossa capacidade de materializar o que desejamos. De alinhar a frequência do nosso pensamento com aquilo que desejamos obter. E porque será que temos ainda dificuldade em acessar esse poder?

Penso que é porque ainda temos dificuldade para compreender que o amor precisa estar acima de qualquer decepção, de qualquer gesto desumano, agressivo e qualquer situação vivenciada por nós. E quando seremos capazes de acessá-lo em sua plenitude?

Quando pudermos compreender que, de algum ponto, somos cocriadores das situações que vivenciamos e por mais difícil que seja a situação vivenciada ela precisa ser integrada ao invés de rejeitada.

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A incrível historia de Che Guevara em Ilhéus

Gerson Marques

 gerson marquesO navio da Costeira havia chegado na madrugada, jogou âncora nas proximidades da entrada da barra, esperou o dia amanhecer, soltou cinco apitos longos e graves entrou na baía do Pontal  com a elegância de um cisne negro, ancorou pouco tempo depois no cais da companhia, o movimento frenético do desembarque começou imediatamente, uma multidão logo se formou na balbúrdia do cais, estivadores, marinheiros, passageiros, pessoas que esperavam parentes, vendedores de pastel, picolé e jornal, carregadores de bagagens oferecendo seus serviços em carrinhos de mãos, e toda fauna humana que habita beiras de cais em qualquer lugar do mundo, pescadores, marujos, prostitutas, meliantes amadores e profissionais. O ar estava tomado por um cheiro nauseante de maresia, misturado a peixes, perfumes caros e baratos, suor e charutos, inebriava os mais sensíveis e gerava reclamações dos mal humorados em geral, isso tudo debaixo de uma chuva fina e um calor abafado.

Passou sem ser notado, carregando uma pequena maleta de couro  marrom, vestido em um surrado terno de linho branco, apesar de alto e jovem, caminhou a passos lentos em direção ao Hotel Coelho, duas quadras de distância do porto, lá escreveu na ficha de hospedagem o nome de Ernesto G. de La Serna, natural da Argentina, 30 anos, médico de profissão.

Do mesmo navio, desembarcou com idêntica  discrição, o cidadão americano Porter J. Goss, nome que colocou na ficha de hospedagem do mesmo hotel, preenchida dezessete minutos após o argentino Ernesto.

A Ilhéus de 1956, era uma pequena mas cosmopolitana cidade, com grande presença de estrangeiros, tanto em sua população fixa como de visitantes, muitos deles atraídos pelos milhões gerados no próspero negócio do cacau.

Os hóspedes estrangeiros do Hotel Coelho, juntaram-se a outros tantos que iam e vinham nas ruas próximas ao cais, a cidade fervilhava logo cedo, o movimento dos poucos automóveis disputava o espaços das ruas com as tropas de mulas e burros carregando cacau para o cais, a estudantada passava fazendo algazarras, e as lojas começavam a abrir suas portas, já era quente e abafado o dia, com sol matinal e chuvas eventuais de verão, nesta época os libaneses e sírios dominavam o comércio, algumas firmas exportadoras de cacau eram de suíços e outras pertenciam a grandes empresários de Salvador, os ingleses eram os homens da ferrovia, e os sergipanos vindo de todo nordeste inclusive do sertão baiano, tocavam as bodegas, mercearias, vendas e o negocio de quinquilharias em geral, aos negros cabia o trabalho pesado da estiva e os serviços gerais das roças de cacau nas matas húmidas da região, tudo girava em torno do fruto dourado e do movimento de navios no cais do porto.

DOSSIER MATHIL COMMANDANTE CHE GUEVARA RAOUL CORRALESO argentino Ernesto, sempre muito discreto era por vezes visto em conversas sisudas com alguns conhecidos da cidade, diziam que eles conversavam sobre política e sindicatos, também se falava que o doutor argentino,  eventualmente fazia exames e aviava receitas de remédios manipulados na botica do sergipano Aldaségio. Já o americano Porter ou Mister Porter, como exigia ser chamado era sempre visto em mesas de bares, solitário e beberrão, mas tinha um olhar astuto, sabia observar a paisagem humana e tirar conclusões sociológica do universo em seu arredor, particularmente parecia ter interesse por tudo que o médico argentino fazia, apesar de sua descrição quase invisível.

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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