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O Amor que cura

Eulina Lavigne

eulina lavigneQuando vejo alguém se referir a um Ser Humano como vagabundo ou com qualificações semelhantes eu fico a me perguntar se um Ser Humano sente prazer ou se vangloria por ser um vagabundo. A palavra Vagabundo vem do Latim VAGABUNDUS, “pessoa que anda sem destino”, vem de VAGARE, “errante”, mais o sufixo -BUNDUS, “propenso a, cheio de”. Uma pessoa que vive a procura de algo que não se sabe o que é. Sem foco, perdido no mundo. À toa.

Quando buscamos nos aprofundar para compreender as nossas mazelas, passamos a desenvolver um olhar diferenciado sobre os ditos “vagabundos”. O que será que falta a essas pessoas ou o que faltou para que pudessem se sentir responsáveis por si? Do que estão à procura? A resposta que me vem é Amor! Cuidado!

flor w6E cuidado é também o que devemos ter ao lidarmos com as pessoas com esse perfil para evitarmos perpetuarmos o seu destino. Evitarmos chama-las de vagabundos penso que já é um bom começo.

O que um “vagabundo” desperta em você? De imediato respondo que é uma repulsa. Um distanciamento. Não queremos contato com alguém que pode despertar sentimentos que me incomodam. Que inconscientemente me remetem à culpa. Culpa? Isso mesmo.

Culpa, muitas vezes por nos encontramos em uma situação mais favorecida. Culpa por não podermos dar conta daquilo que vivenciamos. Desejo de ver diferente e sentir-se incapaz de alterar uma situação. E para não sentir culpa e ativar outros sentimentos eu rejeito. Não quero contato.

Bert Hellinger, pai da terapia da Constelação Familiar, nos ensina que tudo aquilo que aponto um dedo acusador e a toda a pessoa que desperta a minha dor, estou a excluí-la. Cada situação em que me sinta culpado, estou a excluí-la. E dessa forma vou ficando mais empobrecido. Quando olho para o que é real, reconheço a minha parte e integro em mim, com todo o desafio que isso possa representar para mim, me fortaleço.

Ninguém pode imaginar a dor do outro. Não fazemos ideia do que viveu em sua infância esse tal do “vagabundo” a quem tantos se referem. E exatamente por esse motivo precisamos de uma atitude mais amorosa com essas pessoas.
Certa feita estava com meu carro parado em uma sinaleira, e um rapaz praticamente entrou pela minha janela ficando quase que com a metade do corpo dentro do carro. Tomei um susto tão grande que sem pensar gritei: ai meu amor que susto!

Percebi que quando ele ouviu essas palavras ele sorriu. E busquei permanecer no amor. Ele queria dinheiro e eu lhe dizia: olhe meu amor estou sem dinheiro aqui agora, deixe-me ver se tenho umas moedas para lhe dar. E ele com toda a firmeza me falava que estava com fome e que havia acabado de sair do presídio e que aquela moedas não iriam resolver o problema dele. E com a mesma firmeza do amor eu permaneci dizendo que se, com mais cuidado ele se aproximasse de outros carros e pedisse às pessoas uma ajuda, poderia conseguir um valor que pudesse comprar um sanduíche ali por perto.

Quando dei para ele as moedas, me sorriu sem dentes e seguiu. Fui salva pelo amor que soou da minha boca e tocou meu coração. Na semana seguinte vi que ele estava a trabalhar limpando o vidro dos carros na sinaleira.

Sabe Deus se algum dia esse rapaz experimentou o amor de uma mãe ou de um pai.
Estamos precisando de mais escuta, mais respeito, mais diálogo e compreender que o que cura mesmo é o AMOR.

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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