hanna thame fisioterapia animal
livros do thame

shopping jequitiba

Bahiafarma inicia fornecimento de insulinas para o SUS

bf 3

A Bahiafarma, laboratório público do Estado da Bahia, inicia nesta semana o fornecimento de insulinas para abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Os primeiros lotes do medicamento, usado para controle da Diabetes, devem chegar aos postos de saúde nos próximos dias. O procedimento marca a primeira etapa do processo de transferência de tecnologia que vai tornar o Brasil um dos poucos países a dominar o processo de fabricação de insulina, um dos medicamentos mais utilizados no mundo – e considerado estratégico pelo Ministério da Saúde.

bf 1A compra do medicamento, por parte do ministério, foi publicada no dia 16 deste mês, no Diário Oficial da União, concretizando a redistribuição dos projetos de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) para produção de insulina no País, que havia sido definida por meio da Portaria número 551, publicada no DOU em 21 de fevereiro de 2017. Pelo documento, a Bahiafarma passa a ser responsável pelo abastecimento de 50% da demanda de insulinas do ministério, fornecendo para o SUS as insulinas de maior uso – a Regular (R) e a de ação prolongada, NPH.

Para a produção das insulinas, a Bahiafarma tem como parceiro tecnológico o laboratório ucraniano Indar, dentro do regime de PDPs. “É uma empresa que atua exclusivamente em pesquisa e produção de insulinas há mais de 15 anos e é reconhecida por utilizar tecnologias inovadoras, além de realizar operações em diversos países”, ressalta o diretor presidente da Bahiafarma, Ronaldo Dias.

bf 2A PDP entre Bahiafarma e Indar prevê a instalação da fábrica de insulinas na Região Metropolitana de Salvador (RMS). “Uma fábrica de insulinas é uma unidade de alta tecnologia, que poucos laboratórios detêm, e estamos dando todos os passos para atingir a excelência na instalação desta unidade”, afirma o executivo, enfatizando que “a Indar tem todo o know-how para auxiliar-nos neste processo, que vai resultar na mudança de patamar da indústria farmacêutica no Norte-Nordeste brasileiro, com atração e formação de mão de obra altamente qualificada”.

Fábrica

O protocolo para a instalação da fábrica na Bahia foi assinada entre o governador Rui Costa, a presidente da Indar, Liubov Viktoriyna Vyshnevska, o secretário estadual da Saúde, Fábio Vilas-Boas, e Ronaldo Dias, em agosto do ano passado. “É um acordo bom para a saúde dos brasileiros e bom para a economia brasileira”, disse Rui, à época. “Com a fábrica, o Ministério da Saúde passa a fazer a aquisição [da insulina] por um preço muito menor, facilitando assim o acesso a esse medicamento para milhares de portadores de Diabetes.”

De acordo com pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, o número de brasileiros diagnosticados com Diabetes cresceu 61,8% entre 2006 e 2016, passando de 5,5% para 8,9% da população. Somente os portadores de Diabetes tipo 1, dependentes regulares de insulina, são mais de 600 mil brasileiros.

Para Ronaldo Dias, a parceria internacional “concretiza a política do governador Rui Costa de promover a industrialização do Estado”, e amplia, ainda mais, a oportunidade de produtos que podem ser acessados pelo SUS. A previsão é que a planta industrial comece a operar em 40 meses. “Além disso, a unidade produtiva vai poder dar segurança de fornecimento e estabilidade de preços das insulinas ao sistema”.

Segurança

A maior estabilidade de preços futuros e a segurança no abastecimento são considerados fatores estratégicos para o esforço público brasileiro de adquirir a tecnologia para a produção própria de insulinas, por meio das PDPs. “Como um dos maiores mercados consumidores do medicamento no mundo, o Brasil não pode ficar dependente do fornecimento internacional – nem pode ficar exposto às variações de preços praticados pelos grandes controladores globais da produção de insulina”, pondera Dias.

As PDPs promovidas no Brasil pelo Ministério da Saúde baseiam-se em projetos nos quais foram avaliados, prioritariamente, a qualidade da insulina produzida, a capacidade de atender a demanda do SUS pelo medicamento e os processos de transferência de tecnologia. No caso da parceria entre Indar e Bahiafarma, o projeto deriva da parceria entre Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Indar, iniciada em meados da década de 2000, na qual tanto a qualidade do produto quanto a logística de entrega já foram comprovadas após dez anos de fornecimento contínuo de insulina pelo laboratório ucraniano ao SUS.

Além disso, durante o período, a Indar cumpriu todos os requisitos regulatórios vigentes no Brasil, a exemplo das renovações regulares tanto do certificado de Boas Práticas de Fabricação (BPF) quanto dos registros de produto. Os documentos são emitidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que é mundialmente reconhecida pelos altos padrões regulatórios adotados. A Indar também conta com reconhecimento internacional de suas atividades, exportando seus produtos para mais de 15 países.

“A redistribuição das PDPs de insulina e a consequente construção de uma fábrica do medicamento no Nordeste brasileiro também representam um marco para a saúde pública do Brasil, por incorporar ao sistema fábricas de altíssima tecnologia, dominada por poucos países, e pelo potencial de reconfigurar o Complexo Industrial da Saúde do Brasil, ao incentivar a descentralização produtiva de medicamentos e insumos para a saúde”, explica Ronaldo Dias.

A planta de fabricação de insulinas da Bahiafarma passará a ser a primeira unidade de produção de imunobiológicos no Nordeste, levando tecnologia e desenvolvimento para uma região historicamente negligenciada pelas indústrias do setor e fomentando tanto a formação de mão de obra altamente qualificada quanto a atração de outras empresas da cadeia produtiva de insumos para a saúde. A fábrica marcará também a reentrada do Brasil no rol de países produtores de insulina, o único do Hemisfério Sul.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, no mundo, cerca de 10% dos adultos têm a doença. “A construção dessa fábrica fará história na saúde pública do Brasil”, avalia o secretário Fábio Vilas-Boas, ressaltando a possibilidade de ampliação do acesso à insulina pelo povo brasileiro.

Imprimir Imprimir | Enviar Enviar

Dê seu voto:

Leave a Reply

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

Busca por data
abril 2018
D S T Q Q S S
« mar   mai »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930