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Violência psicológica contra a mulher: a agressão invisível

Débora Spagnol

 

debora 2Violência é conceito abrangente que abarca todas as classes sociais, gêneros, etnias e faixas etárias. Ocorre tanto em espaços públicos como privados, entre classes sociais abastadas e miseráveis e não distingue vítimas: quase todos estamos sujeitos a ela, em determinadas fases de nossa vida.

Quando a vítima é mulher, a violência assume nuances distintas e geralmente se manifesta em diferentes graus de severidade, que podem evoluir para o crescente aumento da agressão e resultar no irremediável: o feminicídio.

O termo “violência contra a mulher” desmembra-se em vários tipos: de gênero (quando manifesta a desigualdade entre homens e mulheres), intrafamiliar, doméstica, física, sexual, patrimonial, institucional e psicológica.

Entendo ser a psicológica uma das piores formas de violência, já que muitas vezes deixa marcas graves (embora invisíveis) na mulher que é vítima de tal covardia, além de possibilitar o cometimento das demais violências e muitas vezes garantir a impunibilidde do agressor.

Por violência psicológica se define toda a ação ou omissão que tenha por objetivo causar danos à autoestima, à identidade e ao bom desenvolvimento psicológico de uma pessoa. Tais atitudes e comportamentos podem vestir a roupagem de insultos constantes, xingamentos, desvalorização, humilhações públicas, chantagem, ridicularização, ameaças, manipulação afetiva, críticas pelo desempenho sexual, omissão de carinho.

Forçoso é reconhecer que, mesmo com todos os avanços sociais e legais (como legislação específica contra os crimes de gênero), ainda somos culturalmente patriarcalistas. Como resultado, surgem relações desiguais socioculturalmente, com a maioria dos casais envolvidos numa relação doméstica de dominação/submissão e sentimento de amor e ódio da mulher para com seu parceiro.

A violência psicológica, nesses casos, pode se iniciar com simples desentendimentos entre o casal, levando-os à indiferença e a críticas constantes quanto ao modo de comportamento da companheira. Importa considerar que na maioria das vezes o fomentador das discussões é o machismo, que se reflete no sentimento de propriedade do homem sobre a mulher.

A constância das agressões e xingamentos podem levar a problemas físicos e sequelas graves às mulheres.

Dentre os sintomas apresentados pelas mulheres vítimas de violência, destacam-se: dor crônica, visita frequente ao médico, uso/abuso de medicamentos, uso/abuso de álcool, histórico de pensamentos/tentativas de suicídio, depressão moderada ou grave, suspeita de maus-tratos infantis como mãe, problemas para dormir (insônia, pesadelos), agitação, ansiedade ou nervosismo, pensamento confuso, dificuldade de tomar decisões, distúrbios sociais, ausência de contato visual e visão rígida dos papéis de homem/mulher” (D’AFFONSECA e WILLIAMS: Habilidades Maternas de Mulheres Vítimas de Violência Doméstica: Uma Revisão da Literatura).

O filhos do casal que convivem em ambientes violentos também são afetados emocionalmente e de forma profunda, gerando revolta, medos, traumas e tendências a repetir o comportamento violento em seus próprios relacionamentos.

Muitas vezes sob o manto dos axiomas de compreensão, sensibilidade e cuidado, as mulheres mantém um relacionamento afetiva e fisicamente abusivo e, ao invés de responsabilizar o agressor, acreditam que os homens violentos precisam de cuidado e compreensão, que só podem vir de uma mulher amorosa (amor que, ressalte-se, deveria ser direcionado a si própria, na busca do fortalecimento necessário ao rompimento do ciclo vicioso).

O “conto de fadas” que as mulheres querem viver na realidade funciona como correntes a lhes manter presas aos abusos, muitas vezes sob a justificativa bíblica de Coríntios, 13: “O amor é sofredor (…) tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

Também são correntes os filhos, o status financeiro e a reputação na sociedade (importa ressaltar que a violência não atinge apenas mulheres pobres).

Como consequência, as vítimas deixam de denunciar seus parceiros: pesquisas mostram que 65% das mulheres vítimas de violência foram agredidas por seus próprios parceiros de relacionamento, ou seja, por marido, companheiro ou namorado. Porém, desse total, apenas 35% procuraram uma delegacia e oficializaram uma denúncia formal, enquanto o restante preferiu procurar ajuda com familiares, amigos, religião, ou não procurar ajuda nenhuma.

Portanto, se, em vez de boas memórias, o “amor” deixa marcas físicas e, principalmente, psicológicas, o romance e as ilusões devem deixar de ser o mote da relação e a Justiça deve ser acionada – para o próprio bem da mulher.

 

 

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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