hanna thame fisioterapia animal
livros do thame

Assim caminha a cacauicultura (parte 1)

Gerson Marques

gerson marquesPerde tempo quem busca uma saída para a cacauicultura olhando para trás, jamais retornaremos ao que já fomos um dia, não só porque o tempo não volta, mas principalmente porque a realidade é uma força  imperativa.

Deixo o debate sobre causas para os que querem olhar pra trás, faço coro com os que trabalham sobre os efeitos e encontram  nestes as oportunidades de futuro.

Passado o passado,  nos deparamos com um cenário, até então pouco conhecido por nós, e ainda incipiente no mundo, neste cenário o cacau é mais que comódite, é a engrenagem de uma máquina poderosa geradora de negócios na indústria de alimentos especializados de alto valor agregado como os chocolates intensos, de origem e nibs de cacau por exemplo, estrelas de destaque, apontando para um perfil inovador desta indústria.

Estas inovações refletem mudanças de comportamento e hábitos que estão acontecendo há algum tempo na sociedade, e vem acentuando ultimamente, apontam na consolidação de uma poderosa nova classe de consumo, formada por pessoas que valorizam a qualidade orgânica e a funcionalidade física dos alimentos, a segmentação entre categorías como orgânicos, fitness, veganos, slow food, oferecem oportunidades para o cacau que jamais imaginamos.

cacau (6)Nossa tradição de vendedores de mercadoria primária em forma de amêndoas, nos distanciou da compreensão de que o cacau, se situa entre os três mais importantes alimentos da humanidade, que sua composição organoléptica e suas qualidades nutricional, fazem dele uma estrela em ascensão neste novo mundo de consumo consciente.

Exatamente aí, que se situa as novas fronteiras para a nossa cacauicultura,  são nestas fronteiras que se coloca nossos novos desafios e nestes, estão o desafios de fazermos os melhores chocolates do mundo,  ainda mais que isso, de vendermos cacau e nibs de alta qualidade e funcionalidade para indústrias de transformação ou mesmo para o consumidor final.

chocolateExiste uma cena regional formada por uma centena ou mais de produtores que já buscam se posicionar nesta perspectiva, são a vanguarda desta nova era, nos últimos anos temos acumulado uma significativa experiência neste tema, a consolidação da cena chocolateira, por exemplo, é uma prova de nossa competência, hoje temos cadastrado mais de quarenta marcas de chocolates de origem regional, alguns já alcançando qualidades excepcionais e reconhecimento do consumidor, assistimos a institucionalização deste seguimento, via a criação da Associação dos Produtores de Chocolates de Origem, em paralelo o forte e organizado movimento da Associação Cacau Sul Bahia que avança para consolidar o selo de denominação de origem – IG Cacau Sul Bahia, existem também ações vitoriosas como as Cooperativas  Cabruca em Ilhéus e Coopag em Gandu, que vendem cacau de valor agregado fora do mercado de comódite.

Estamos no início deste processo, e o tema exige um aprofundamento deste olhar que continuarei fazendo nos próximos artigos.

Gerson Marques é produtor de Cacau e Chocolate, proprietário da Fazenda Yrerê, onde trabalha com turismo rural, e atual presidente da Associação dos Produtores de Chocolate do Sul da Bahia. 

 

 

Imprimir Imprimir | Enviar Enviar

Dê seu voto:

2 Responses to “Assim caminha a cacauicultura (parte 1)”

  • Dorcas Espírito Santo disse:

    É né Seu Gerson Marques? Nem sei porque os judeus até os dias de hoje ficam lembrando de crimes do passado da segunda guerra, e quando pegam algum militar que serviu a Hitler, mandam o pobre velhinho para ser julgado e o envia para o “xilindró”pra ficar preso até o fim da sua vida; que pena né? O sujeito já tão velhinho e nunca tinha sido preso, pra que ficar lembrando de câmara de gás em Auschwitz e outras bobagens desse tipo? Como aqui no nosso Brasil, pra que ficar lembrando de crime biológico no cacau né Gerson? Terrorismo de cacau que LASCOU com uma região inteira de quase 3 milhões de habitantes. Isso tudo já passou.Isso tudo é pura bobagem. Passado é passado né Seu Gerson???

  • Ola Gerson e Dorcas!
    Eu entendi que o “olhar pra traz” a que o artigo se refere não é no sentido de esquecer ou eliminar os problemas que continuam assolando as nossas energias de cacauicultores. Isso é presente. Na minha interpretação, o texto fomenta a necessidade da mudança do modelo de negócios. O formato antigo dos nossos pais e avós não tem mais lugar na evolução do business. É passado. Foi isso que entendi.
    O processo que criminaliza o terrorismo biológico com a introdução da Vassoura de Bruxa na região existe e tem número. Isso também é presente. É um DEVER de todos nós, movimentar a justiça em todas as instâncias pra que seja julgado e concluído. Assim como é nosso dever, reconstruir os bens moveis primando por ações de reabilitação do Museu do Cacau, por exemplo, tombar imóveis seculares e resgatar a cultura que foi completamente abandonada assim como as fazendas, durante as décadas de 90 e 2000. Cultura é sempre presente.
    A analogia aos judeus se aplicaria se o tom fosse o outro. Os judeus revivem seus momentos de dor até em sessões de rituais como o casamento e o barmitzva. Não acho construtivo. Mesmo. Porém é da cultura deles. Então não há o que discutir. Assim como punir os algozes do horror nazista, também não faz parte de passado algum. Faz parte do caminho da justiça que deve ser perseguida até ser feita assim como o que nos aconteceu com a o bioterrorismo. É nossa OBRIGAÇÃO de cidadãos levantarmos esse caso e levarmos até a punição adequada dos culpados.
    É a minha opinião.
    Abraços.

Leave a Reply

Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

Busca por data
março 2017
D S T Q Q S S
« fev   abr »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031