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Black Bloc: a violência pela violência

Sione Porto

No inicio de 2013, o Brasil despertou do seu berço esplêndido. O movimento de protestos populares nas ruas, promovido por manifestantes apartidários contra o valor abusivo das passagens de transporte urbano, a repressão estatal e a corrupção, ganhou força em estados do Sudoeste (Rio de Janeiro e São Paulo), na região central, e até em Brasília, cuja ousadia jamais foi vista, com invasão do Congresso Nacional.

Essa tática de protestos e resistência urbana à violência do autoritarismo estatal, cujas ações são divulgadas pelo grupo Mídia Ninja, cresceu no País com os adeptos do Black Bloc (homens de capas pretas), isto é, jovens mascarados  que deram segurança aos ativistas, surpreendendo a Polícia Militar desses estados e  do Distrito Federal.

Surgidos na Europa, com suas ideias espalhadas pelo ocidente, o Black Bloc explodiu em massa aqui no Brasil, com rostos cobertos no centro das metrópoles, organizando de forma ordenada os ataques aos símbolos do capitalismo, tendo como alvo principal o patrimônio público e privado, especificamente agências bancárias e grandes empresas, deixando o poder público inerte diante dos artefatos usados para ataque e defesa, as táticas de guerrilhas, como uso de paus, pedaços de ferro e coquetéis molotov.

No Brasil, o movimento assemelhado, também intitulado Black Bloc, não tem histórico anarquista, não possui relação com nenhum braço partidário de esquerda, seja partido comunista ou movimento sindical. Nasceu independente, representando o desejo pela transformação social, com crescimento na web, que, valendo-se dessa mídia tecnológica de apelo fácil e rápido, pôde angariar simpatizantes e arregimentar vândalos, diferente do movimento contracultura que explodiu na Itália em 1970 e chegou a outros países da Europa, como Dinamarca e Holanda.
Sobre esse movimento de contracultura foi razão de estudo por parte do anarquista Daniel Dylan Young, em 2001, que afirma que tal movimento não tem origem no Anarquismo, e sim no movimento radical italiano, na década de 1970, sem ligação com a esquerda partidária. Dez anos depois, em 1980, explodiu na Alemanha, numa situação de violência, envolvendo ambientalistas, ativistas anti-recessão, com ocupação de imóveis desocupados e despejos. Após a reunificação do país, desenvolveu políticas menos autoritárias para a sociedade, momento em que o movimento perdeu força, recuando no seu aspecto anarquista e na prática de violência e luta, assim como em outras partes da Europa.

Com a ferocidade policial contra um movimento pacífico desde seu início chocou os autonomistas (ou autonomen), que a partir daí conceberam a tática Black Bloc (apud Mota, 2013).

Já nos EUA, as manifestações de 1999 ocorreram em Seattle, O Black Bloc teve presença marcante, perdurando em várias cidades da América do Norte.

A luta por garantias individuais e coletivas são válidas, pois desmascarar os corruptos faz parte da cidadania. Destruir o bem público é a maneira mais arcaica de reivindicar direitos. LUTE POR IDEAIS, MAS DIGA NÃO À VIOLENCIA!

 

Sione Porto é membro da ALITA (Academia de Letras de Itabuna) e delegada de Polícia Civil

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Daniel Thame
Daniel Thame, jornalista no Sul da Bahia, com experiência em radio, tevê, jornal, assessoria de imprensa e marketing político danielthame@gmail.com

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