Uma das regras não escritas do jornalismo versa que se um cão mordeu um homem não é notícia, mas se um homem mordeu um cão, é notícia.
Pois naquela Havana do início de 1995, espírito de repórter a mil, eu ia atrás do homem que mordeu o cão. E do cão que mordeu o homem.
Durante o dia, fazia reportagens sobre a vida num país socialista afundado numa crise em que sabonete, pasta de dentes e até absorventes eram considerados artigos de luxo.
À noite, mergulhava no submundo da prostituição e do mercado negro, em meio a jineteras e jineteros e a comercialização nem tão clandestina de charutos e de PPG, um precursor do Viagra, que fazia muito sucesso na época. “Hay que endurecer”, já dizia Che.
Está última série de matérias produzidas em Cuba mostra como um país em frangalhos usa todas as armas para manter viva a chama do socialismo. Mesmo as menos ortodoxas. E também o fascínio exercido pelas novelas brasileiras, uma mania na Ilha.
Agora é esperar 2010, quando pretendo produzir algo do tipo “15 anos depois”. Isso se Deus, a crise econômica e Fidel permitirem.